quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O incompreendido drogado

A dependência química representa um dos principais problemas de saúde mental, física e social da sociedade. O que pensar de uma pessoa que se prende ao uso de uma substância (lícita ou não) e parece incapacitado de se libertar?

Sua mente se mostra capturada pela compulsão e prazer do uso (mente-capta). A dificuldade para pensar é imensa, os mecanismos de defesa predominam, distanciando o indivíduo de si mesmo. O homem tende a enxergar os problemas sempre fora dele mesmo, preferencialmente nos outros e se distanciando perigosamente da verdade, da realidade e do autoconhecimento necessário para o seu equilíbrio mental. O dependente químico torna-se um ‘expert’ neste campo, em que predominam as manipulações, que por sua vez o afastam das pessoas mais significativas da sua vida, consequentemente agravando sua relação com as drogas. Então, uma espécie de “Torre de Babel” toma conta da vida do paciente e da sua família e, para piorar, frequentemente o quadro é acompanhado pela desesperança e descrença nas mudanças necessárias para que haja recuperação.

A internação – melhor seria a expressão ‘ação interna’ – representa uma oportunidade e possibilidade real de olhar para o interior do paciente. É um momento em que o “eu” em estado de intenso sofrimento e confusão e necessitando de atenção recebe acolhimento humano, afetivo, carinhoso e compreensivo. Assim, abrimos possibilidades para que algo realmente aconteça no interior do indivíduo, um despertar de dentro para fora. Antes adormecido no embalo de tranquilizantes, o indivíduo recebe então a oportunidade para uma mudança real, através do conhecimento possível pelo despertar do pensamento.

Sabemos que o homem também pensa através da falta, pela frustração da dor. A abstinência das drogas representa um momento oportuno para o desenvolvimento desta condição, que precisa ser aproveitado em favor do restabelecimento da saúde mental. Não existe tratamento mágico neste campo. Nenhum remédio milagroso vai substituir este trabalho que implica na reconstituição das relações humanas, da confiança, da seriedade, do respeito à verdade e da busca incessante pelo despertar e autoconhecimento.

José Carlos Vasconcelos - diretor da Clínica Quinta do Sol

DESCONTROLE EMOCIONAL E COMPORTAMENTO MANIPULADOR SÃO SINTOMAS DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Especialistas alertam que, assim como a febre e as dores são indícios de doenças do corpo, na dependência química é preciso ficar atento aos sintomas de sociabilidade
Muitos se perguntam por que familiares de dependentes químicos demoram a perceber sinais da doença. Além da própria dificuldade em acreditar e aceitar o problema, um dos grandes motivos dessa “cegueira” é o fato de a dependência química não apresentar sintomas físicos claros, como as doenças comuns.
“No caso da dependência química, os sintomas físicos demoram muito a aparecer aos olhos de quem convive com o portador da doença”, alerta o psicólogo Dionísio Banazsewiski, que atua há mais de 25 anos na orientação e combate ao uso de drogas. Segundo ele, é preciso estar atento ao comportamento da pessoa em suas relações sociais.
“Assim como, nas doenças físicas, alguns sintomas são as dores e a febre, na dependência os primeiros sinais são comportamentais”, explica. A doença se mostra por meio de sintomas normalmente antissociais, como mentira, omissão, manipulação, descontrole emocional, entre outros. “O comportamento do dependente ao mentir e manipular é exatamente como a febre em uma doença comum”, afirma Dionísio, que atua em parceria com a Clínica Quinta do Sol, em Curitiba.
Normalmente os portadores desses sintomas são rotulados socialmente como “sem caráter”, “sem vergonha”, “mentirosos” ou “sem palavra” – são pessoas consideradas sem força de vontade ou ainda “de dupla personalidade”, e, por causa disso, são marginalizados em seus relacionamentos. “Mas, ao invés de ajudar o doente, esses comportamentos oportunizam mais e mais a busca pelo uso das substâncias psicoativas, pois elas dão a sensação de conforto e acolhimento”, alerta o médico José Carlos Vasconcelos, diretor da Clínica Quinta do Sol.
OS dois especialistas salientam o quanto é importante que as famílias percebam esse comportamento manipulador e procurem, o mais cedo possível, auxílio especializado. “Esse comportamento é um mecanismo de defesa inconsciente do dependente. É um comportamento repetitivo e muito utilizado”, afirma Dionísio. “No entanto, só um profissional qualificado e experiente no manejo da doença poderá diagnosticar e orientar sobre o melhor caminho de tratamento a ser seguido”, lembra Vasconcelos.
A dependência química é uma doença sem cura - o que se busca é o comportamento de abstinência. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, apenas um terço dos portadores de dependência química se recuperam sem recaídas físicas, já que as emocionais são inevitáveis. “A abstinência é a maior conquista e representa a estabilização integral do paciente”, orienta o médico.
SOBRE A CLÍNICA QUINTA DO SOL
A Clínica Quinta do Sol está instalada em Curitiba e há mais de 30 anos se dedica ao tratamento contra a dependência química e o alcoolismo. A clínica atende a pacientes de todo o país e conta com profissionais de saúde especializados no tratamento da drogadição, como médicos, psicólogos e enfermeiros, entre outros.
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ATLETAS CONTAM SUAS HISTÓRIAS COM O USO DE DROGAS PARA ALERTAR JOVENS SOBRE OS RISCOS DO VÍCIO

O ex-jogador Walter Casagrande Junior e o goleiro do Atlético-PR Rodolfo Alves de Melo participam do lançamento do Programa Cuide-se + em Cascavel, promovido pelo SESI-PR

A tentação do mundo das drogas ronda os jovens de todo o Brasil, que muitas vezes são seduzidos pela ideia de “fugir da realidade” ou experimentar o prazer desenfreado. Imagine, então, o quanto essa tentação ronda o mundo das celebridades, artistas, atletas e pessoas de notoriedade social. Para alertar sobre os riscos do uso abusivo do álcool e outras drogas, o SESI-PR reúne nesta sexta-feira, em Cascavel, no Oeste do estado, dois atletas que viveram de perto os problemas do vício e hoje estão em recuperação, o ex-jogador Walter Casagrande Junior e o goleiro do Clube Atlético Paranaense Rodolfo Alves de Melo. O evento também terá a participação do psicólogo Dionísio Banaszewski, diretor do Atlético que atua na Clínica Quinta do Sol, em Curitiba, na orientação e combate ao uso abusivo de álcool e outras drogas.
O objetivo do encontro é que os jogadores contem suas experiências como forma de alerta a outras pessoas, para que não caiam no mesmo problema. Casagrande teve problemas sérios com o uso de cocaína, heroína e outras drogas, ficou internado para se desintoxicar e até hoje mantém o tratamento, com acompanhamento psiquiátrico. Para deixar sua história como legado e alerta, lançou o livro “Casagrande e seus Demônios”. Rodolfo também optou por não esconder o vício, e sim enfrentá-lo. Para isso, teve o apoio do Clube Atlético. O goleiro fez tratamento e ainda hoje participa de reuniões e faz terapia, com o apoio também da Clínica Quinta do Sol.
O presidente do Sistema Fiep, Edson Campagnolo, e o superintendente do Sesi no Paraná, José Antonio Fares, também participarão do bate papo. Durante o evento também será assinado um termo de parceria entre a Prefeitura de Cascavel, o Clube Atlético Paranaense e o Sesi no Paraná para a realização do Sesi Atleta do Futuro em Cascavel, um programa que desenvolve o hábito da prática esportiva, por meio de ações socioeducativas, atendendo a crianças e adolescentes de todo o Estado.
Foco em prevenção na indústria
O “Cuide-se+” coloca as indústrias como centros de irradiação de ações de prevenção ao uso de álcool e de outras drogas. O programa atua em duas frentes. Uma é com consultoria para as indústrias que queiram um atendimento mais específico para a sua realidade. Outra é suporte às indústrias para ações institucionais na comunidade, a partir das escolas do entorno.
O objetivo é ajudar a reduzir os impactos negativos do álcool e outras drogas na sociedade e no ambiente de trabalho, onde o uso destas substâncias é responsável por queda na produtividade, aumento de faltas e de custo às empresas. O programa já foi lançado em todas as demais regiões do Paraná.
Lançamento do programa Cuide-se+ em Cascavel
Data:
 sexta-feira (08/08)
Horário
: 14 horas
Local
: Sesi em Cascavel
Endereço
: Rua Heitor Stockler de França, 161 – Jardim Maria Luiza.

(TEXTO: jornalista Adriane Werner (Assessoria de Imprensa Clínica Quinta do Sol) + Assessoria de Imprensa FIEP).

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MAIS DA METADE DOS ACIDENTES DE TRÂNSITO SÃO CAUSADOS PELA INGESTÃO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS


Especialistas que trabalham com prevenção, orientação e tratamento de dependentes químicos alertam que o álcool é um dos mais graves problemas sociais
Você sabe o que é “binge drinking” ou “beber em binge”? É o termo utilizado para se referir às pessoas que não têm o hábito de beber, mas que, esporadicamente, bebem em grande quantidade. De acordo com o psicólogo Dionísio Banaszewski, especialista em trabalhos de prevenção, orientação e tratamento de dependentes químicos, essas situações são responsáveis por grande parte dos acidentes de trânsito registrados em todo o país. Estima-se que, nos finais de semana, pelo menos 400 pessoas morram em acidentes de trânsito no Brasil. Cerca de 60% dessas mortes no trânsito são causadas por imprudência devida ao consumo de bebidas alcoólicas.
Para se reduzir esses números, segundo o especialista, é preciso se investir em orientação e informação. Em 2003, quando presidiu o Conselho Regional de Psicologia do Paraná, Dionísio promoveu uma parceria entre o CRP-PR e varas de delito de trânsito para levar orientação a pessoas que estavam sendo julgadas por crimes de trânsito. Em quase a totalidade dos casos analisados, foi constatado que havia consumo de bebidas alcoólicas. Pela relevância do trabalho desenvolvido, o CRP-PR foi condecorado com menção honrosa no Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito.
Dionísio atua junto à Clínica Quinta do Sol, em Curitiba. A Clínica é pioneira no tratamento de alcoolismo e outras drogas fora de instituição psiquiátrica e há mais de 30 anos se dedica ao trabalho. De acordo com o diretor da Quinta do Sol, o médico José Carlos Vasconcelos, em todos esses anos foi possível perceber o crescimento assustador do uso social do álcool e seus efeitos nocivos.
“Mas quando se leva informação às pessoas, o comportamento muda”, garante o médico. Dionísio Banaszewski e José Carlos Vasconcelos criticam a impunidade em relação aos crimes de trânsito no Brasil. Na maioria das vezes, os causadores de acidentes pagam fianças e permanecem em liberdade. Mesmo nos casos de maior visibilidade, em que a sociedade toma conhecimento e manifesta indignação, as histórias raramente terminam em punição exemplar, como prisão dos criminosos, por exemplo. “É preciso fazer uma soma de trabalhos nas mais diferentes frentes, desde a prevenção até a punição”, diz José Carlos. “Defendo a educação continuada, que envolve orientação, fiscalização e punição nos casos de crimes”, acrescenta Dionísio.
Um exemplo negativo, segundo os especialistas, é o fato de a lei permitir que os motoristas se neguem a fazer o exame do bafômetro. “Quem não deve não teme. O bafômetro pode ser uma defesa para quem não ingeriu bebidas alcoólicas, uma prova a seu favor. Mesmo que os policiais tenham a chance de apontar outros indícios de que o sujeito consumiu álcool”, argumenta o psicólogo Dionísio, defendendo mudanças na lei.
SOBRE A CLÍNICA QUINTA DO SOL:
A Clínica Quinta do Sol está instalada em Curitiba e há mais de 30 anos se dedica ao tratamento da dependência química e do alcoolismo, buscando promover o desenvolvimento e o crescimento emocional do paciente. A clínica atende a pacientes de todo o país e conta com profissionais de saúde especializados no tratamento da drogadição, como médicos, psicólogos e enfermeiros, entre outros.
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DEPENDÊNCIA QUÍMICA – quando o caminho é a internação do paciente

Especialistas alertam que a internação é indicada em casos em que o paciente e seu ambiente não dão conta de lidar com a doença
A dependência química é uma doença biopsicossocial, e também espiritual, que afeta não apenas o usuário de drogas e álcool, mas também sua família e as pessoas que convivem com ele. Este pensamento é o ponto de partida para a compreensão do contexto que envolve a dependência, segundo o psicólogo Dionísio Banaszewski, que trata há mais de 25 anos da questão. Entendendo isso, é possível perceber que, nos casos de intoxicações mais agudas e crônicas, em que o paciente não tem condições de decidir por conta própria e precisa de proteção, a internação é a forma de se garantir esse cuidado.
Para se entender os casos flagrantes de quando o paciente precisa dessa atenção, o psicólogo resgata exemplos que toda a sociedade tem acompanhado. “Veja o caso do jogador Casagrande, que foi internado pela família e ficou sem contato com os familiares por sete meses, em tratamento. Hoje ele assume publicamente a doença e tem o apoio dos amigos e familiares. A abstinência é uma luta diária para o comentarista esportivo”, conta o especialista. Em contraste, ele lembra a história da cantora Amy Winehouse: “O pai da cantora relata que, quando ela estava internada, ele ficou penalizado, acreditou nas promessas de que ela largaria o álcool e as drogas e não percebeu que tratava-se de manipulação, um sintoma comum na doença dos usuários de drogas”. O resultado de ambos também é de conhecimento público: o jogador permanece na luta, mas a cantora recaiu e não sobreviveu.
Dionísio Banaszewski é parceiro da Clínica Quinta do Sol, em Curitiba, especializada na orientação e tratamento da dependência química. A Clínica tem internos de ambos os sexos, de qualquer idade. O tempo médio de internação é de seis semanas, em que os pacientes têm atividades em período integral, com equipe multidisciplinar. “Mas o tratamento não acaba aí. Claro que depende de cada caso, mas, passado o período de internação, geralmente o paciente permanece ligado à instituição, participando de grupos de apoio como Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, Alanon e Alateen (para familiares e jovens) e voluntariado”, afirma o médico José Carlos Vasconcelos, diretor clínico da Quinta do Sol. Além disso, a Clínica oferece também a modalidade de hospital-dia, para acompanhamento dos pacientes que receberam alta.
De acordo com os especialistas, o primeiro passo é um bom diagnóstico biopsicossocial, com conhecimento e profundidade, para saber até que ponto a doença já atingiu o indivíduo. “Na maioria dos casos, quando surgem os problemas orgânicos e se instala a dependência física, a situação já está caminhando do moderado para o grave”, ressalta Vasconcelos.
O psicólogo comenta que a dependência química é um desafio constante para os profissionais das mais diversas áreas que tratam a questão, desde os médicos, psicólogos e outros terapeutas e tratadores. Portanto, há que se ter muita paciência e humildade para poder ajudar na recuperação dos pacientes. “Há muitos profissionais da área que se vestem de arrogância e acham que curam sozinhos seus pacientes. Mas se não houver uma parceria muito solidária entre a família, o paciente e os terapeutas, não haverá sucesso”, conclui o especialista.
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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Alcoolismo deve ser tratado de maneira crítica, mesmo na ficção

Especialistas alertam que novela ameniza o tratamento e pode iludir doentes e familiares. “O assunto deveria ser tratado de forma mais aberta!”

(Adriane Werner - Assessoria de Imprensa)

Seguidamente, filmes, novelas e livros trazem personagens enfrentando o problema do alcoolismo. Se, por um lado, isso é extremamente positivo para chamar a atenção da sociedade para o problema, por outro, pode ser preocupante se o assunto for tratado de maneira superficial. Na atual novela das 21h da rede Globo, “Em Família”, por exemplo, o personagem Felipe (interpretado pelo ator Thiago Mendonça) convive com o alcoolismo desde a adolescência e agora, na idade adulta, o problema tornou-se ainda mais grave ao afetar sua atuação profissional.
O psicólogo Dionísio Banaszewiski, que trabalha há mais de 20 anos com orientação, tratamento e combate ao uso de drogas e álcool, alerta para os pontos positivos e negativos da abordagem da novela. Segundo ele, que atua em parceria com a Clínica Quinta do Sol, em Curitiba, o ponto mais positivo é a coragem de tratar do assunto. “O fato de o álcool ser uma droga socialmente aceita torna o enfrentamento da questão muito mais difícil. Quando a novela expõe o tema, a sociedade passa a ver com olhos mais preocupados e isso é muito bom”, diz.
O médico José Carlos Vasconcelos, diretor da Clínica Quinta do Sol, levanta outro ponto interessante da abordagem na novela: levantar a questão do problema do alcoolismo entre os médicos. “É um problema crescente entre profissionais da saúde. Nos últimos anos temos percebido um aumento sensível no número de médicos que acabam também caindo no vício do álcool”, afirma o médico.
Por outro lado, a evolução do personagem na trama foi feita com alguns equívocos em relação ao enfrentamento do alcoolismo. Por exemplo: desde o início da novela, Felipe já tinha problemas com o álcool, quando era adolescente, mas a família não parecia ver ou se preocupar com isso. Agora, quando ele já é adulto e enfrenta inúmeros problemas por causa do alcoolismo, o assunto parece ser tratado de maneira simplista. “Não sabemos quanto tempo ele ficou internado, a novela dá a impressão de que foi um período curto. Depois da internação, ele apareceu várias vezes abraçado a uma garrafa de vodca que escondia na cama – uma relação doentia que precisa ser enfrentada com rigor. E agora ele tem convivido com outros personagens que o provocam o tempo todo para beber – ora, não seria interessante que tentassem ao menos poupá-lo?”, questiona o psicólogo Dionísio.
Igualmente questionável, segundo os dois especialistas, é o fato de as bebidas alcoólicas estarem presentes em praticamente todas as situações sociais da obra de ficção. Há outros personagens alcoólicos – como Viriato (vivido pelo ator Antonio Petrin), pai da polêmica Shirley. Aliás, ela mesma está sempre tomando champanhe. O advogado Nando (Leonardo Medeiros) também tem bebido além da conta. A médica Silvia (Bianca Rinaldi), a fotógrafa Marina (Tainá Muller) e a assistente Vanessa (Maria Eduarda de Carvalho) já vivenciaram escândalos em cenas em que ficam bêbadas na novela. Tudo isso, segundo o psicólogo Dionísio, reforça a ideia de a bebida ser socialmente aceitável e de que os problemas são amenos – e não são. “O álcool precisa ser visto como algo perigoso, comparável a outras drogas e que também provoca dependência. As obras de ficção poderiam fazer um bom papel social ao abordar o tema de forma mais crítica”, argumenta Vasconcelos.
SOBRE A CLÍNICA QUINTA DO SOL
A Clínica Quinta do Sol está instalada em Curitiba e há mais de 30 anos se dedica ao tratamento contra a dependência química e o alcoolismo. A clínica atende a pacientes de todo o país e conta com profissionais de saúde especializados no tratamento da drogadição, como médicos, psicólogos e enfermeiros, entre outros.


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domingo, 23 de setembro de 2012

CRACK- A METÁSTASE DA DROGA


CRACK – A METÁSTASE DA DROGA



Câncer é o sinônimo de doença terminal, por isso o paralelo ilustra bem como a sociedade vê é o crack.

Tal como o que se percebe com relação ao tratamento do câncer: todos os que podem ser tratados preventivamente em geral não avançam, ou não acontecem. E outros quando diagnosticados a tempo, são tratados com sucesso, através de métodos cirúrgicos, quimio e/ou radioterápicos. No caso da drogadição, quando diagnosticado o uso abusivo do álcool, ou de qualquer outra droga ilícita em tempo, também se pode ter um prognóstico positivo.

Na questão da droga existem dois pontos a serem atacados: O primeiro é a oferta: os meios de comunicação nos bombardeiam diariamente com verdadeiras cenas cinematográficas. A guerra do mocinho contra o bandido, situações heróicas infindáveis, pois o comércio das drogas, tanto lícitas quanto ilícitas se reproduz como ratos. Pois existe um vasto manancial que os alimenta. Este manancial é o segundo tópico: a demanda.

A demanda se dá através do uso. E não podemos mais ficar cegos para a inexistência de políticas preventivas que discutam o álcool como a principal droga, que livremente se alardeia e divulga em plenas manhãs de domingo, em patrocínios nos principais programas esportivos, à disposição de todos os ouvintes ou telespectadores. E pasmem: Não vemos, nem ouvimos nenhum político enfrentando essa situação. “Por que será?” E esta é a droga que mais mata seres humanos na face da terra.

Em segundo lugar, é necessário que a sociedade se conscientize de que hoje qualquer experiência emocional é abafada através de um psico-fármaco, que em grande parte é receitado sem um diagnóstico mais apurado. É uma forma de calar ou amansar a sociedade! E pasmem: também não vemos nenhuma política pública, ou político questionando essa situação. “Porque será?”

Depois temos as drogas ilícitas ditas “leves, como a maconha, que está tão incorporada na sociedade, que ninguém mais dá atenção à ela, como se ela não fosse a desencadeadora do processo de inúmeros casos de psicoses e de um retardo na maturação emocional de seus usuários crônicos.

E chega o momento que grande parte dos usuários busca algo a mais. E esse algo a mais tem um nome: CRACK. E as crackolândias podem ser comparadas hoje aos leprosários de muito antigamente. O uso do crack no indivíduo pode ser comparado ao que descrevemos acima: Já é a metástase do uso da droga. Serão difíceis os casos de sucesso no tratamento, ou o tratamento vai requerer um investimento muito maior, tanto financeiro quanto profissional, para os quais o estado mostra-se limitado.

Nos últimos anos tenho discutido e proposto que o caminho de enfrentamento dar-se-á quando o poder público e a sociedade unidos enfrentarem de fato esse problema, com um verdadeiro choque de gestão.



Dionisio Banaszewski Psicologo, Psicoterapeuta, Supervisor e Consultor