terça-feira, 17 de agosto de 2010

Drogas, o debate necessário

Drogas, o debate necessário

Carlos Alberto Di Franco - O Estado de S.Paulo


Frequentemente, a informação veiculada nos meios de comunicação produz um travo na alma. A sociedade desenhada no noticiário parece refém do vírus da morbidez. Crimes, aberrações e desvios de conduta desfilam na passarela da mídia. O goleiro Bruno foi o mais recente capítulo. Os telejornais, e até mesmo os diários mais sóbrios, ficaram de joelhos para o espetáculo. Assistiu-se ao circo da morte. O crime foi o resultado de alguns desvios: o machismo da sociedade que trata a mulher como objeto de posse descartável, a cultura da impunidade, a disseminação das drogas e os valores frágeis de garotas extasiadas com ícones de plástico, mas carregados de dinheiro e glamourizados pelas engrenagens do entretenimento.


Mas não vou falar do goleiro. Vou escrever sobre o avanço das drogas, que ameaça transformar o sonho da juventude numa terrível frustração. A violência avança, impune, no Brasil e o seu principal estopim - a distribuição e o consumo de drogas - continua fora da agenda pública e do debate dos candidatos.


No mercado da cocaína o Brasil exerce triste liderança. O País é hoje o maior espaço consumidor da droga na América do Sul e provavelmente o segundo maior nas Américas. Cresce em progressão geométrica a demanda doméstica. Ademais, somos, hoje, um importante corredor de distribuição mundial.


Multiplicam-se, paradoxalmente, declarações otimistas a respeito das estratégias da redução de danos. O essencial, imaginam os defensores da nova política, não é a interrupção imediata do uso de drogas pelo dependente, mas que ele tenha uma melhora em suas condições gerais. A opção pela redução de danos pode ser justificada em determinadas situações, mas não deve ser guindada à condição de política pública. Afinal, todos sabem que, assim como não existe meia gravidez, também não há meia dependência. Embora alguns usuários possam imaginar que sejam capazes de controlar o consumo, cedo ou tarde descobrem que, de fato, já não são senhores de si próprios.

Observa-se, igualmente, um crescente movimento a favor da despenalização das drogas, sobretudo da maconha. O dependente, de fato, não deve ir para a cadeia. Precisa de ajuda, de apoio, de tratamento. Agora, o traficante, frio e calculista, deve pagar por seu crime com pena proporcional à gravidade da sua perversidade. Não se devem, igualmente, subestimar os efeitos nocivos da maconha para a saúde do usuário.


Ruy Castro, escritor de minha predileção e dono de uma sinceridade afiada, abordou o tema em artigo na Folha de S.Paulo. "A Secretaria Nacional Antidrogas, órgão do governo federal, quer criar uma agência para pesquisar os "efeitos medicinais" da maconha. Se trabalhar direito, será uma decepção para os usuários da erva: a maconha "medicinal" não viria para ser fumada - mesmo porque esta tem todos os males do tabaco e mais alguns."



"A lista das mazelas provocadas pela maconha fumada, estabelecida por médicos da Universidade de Oxford e citada na Folha (Tendências/Debates, 22/10) pelos doutores Ronaldo Laranjeira e Ana Cecília Marques, inclui dependência química, bronquite crônica, insuficiência respiratória, risco de doenças cardiovasculares, câncer no sistema respiratório, diminuição da memória, ansiedade, depressão, episódios psicóticos, leseira, apatia e baixa no rendimento escolar."



"Donde, se provadas as qualidades terapêuticas da maconha - embora ninguém tenha conseguido até hoje descobrir sua superioridade em relação às substâncias tradicionais -, seu uso deveria se dar em forma de gotas, pomada, supositório ou o que for, e não enrolada, queimada e tragada. (...) A secretaria faria melhor se concentrasse seus esforços numa guerra que o Brasil se arrisca a perder: contra o crack, a pior droga já inventada. E a mais covarde", conclui Castro.



A verdade precisa ser dita. Não se pode sucumbir à síndrome do avestruz quando o que está em jogo é a vida das pessoas. O hediondo mercado das drogas está dizimando a juventude. Ele avança e vai ceifando vidas nos barracos da periferia abandonada e no auê dos bares e boates frequentados pela juventude bem-nascida. Movimenta muito dinheiro. Seu poder corruptor anula, na prática, estratégias meramente repressivas. A prevenção e a recuperação, únicas armas eficazes a médio e a longo prazos, reclamam um apoio mais efetivo do governo e da iniciativa privada às instituições sérias e aos grupos de autoajuda que lutam pela reabilitação de dependentes.



Tenho acompanhado o excelente trabalho realizado por algumas comunidades terapêuticas. Sem uso de medicamentos e investindo num conjunto de providências que vão às causas profundas da dependência, essas comunidades têm obtido bons índices de recuperação. Visitei algumas dessas instituições. Aponto, entre outras, uma instituição de referência: a Comunidade Terapêutica Horto de Deus, em Taquaritinga, no interior de São Paulo (www.hortodedeus.org.br). Com gravíssimas dificuldades financeiras e sem nenhum apoio dos governos, embora não faltem falsas promessas de ajuda de políticos oportunistas, a entidade tem sido responsável pela recuperação de inúmeros dependentes químicos. Merece um registro. Os governos não se dão conta de que o trabalho dessas instituições repercute diretamente na qualidade da segurança pública. Elas rompem o círculo vicioso das drogas e criam o círculo virtuoso da recuperação e da ressocialização.





Debates no Congresso Nacional sugerem que as comunidades terapêuticas, bem como as demais instituições idôneas que trabalham na recuperação de adictos, possam, num futuro próximo, receber recursos provenientes do Fundo Nacional Antidrogas e do Sistema Único de Saúde (SUS). Seria uma providência inteligente. É sempre melhor apoiar o que já funciona do que cair na tentação de criar novas estruturas. Afinal, um adicto recuperado é o melhor aliado na luta contra as drogas.

sábado, 7 de agosto de 2010

Real Valorização!!!

Tivemos recentemente eventos, Conferências Municipais e Estadual de Saúde Mental e a PREVIDA: Semana de prevenção as Drogas.
Duas situações me chamaram atenção:
1- Na abertura da Conferência Estadual de Saude Mental, além da ausência do Secretário de Saúde, o coordenador geral da Conferência e o representate dos Secretários Municipais de Saúde usam a mesma frase: "Temos que enfrentar uma EPIDEMIA SILENCIOSA chamada CRACK"
Fiquei pensando sobre suas capacidades de ESCUTAR as pessoas, pois ocupam cargos públicos e estes estão aí para atender a população e são SURDOS, pois não ouvem o CHORO das FAMÍLIAS, MÃES, PAIS, FILHOS e ESPOSAS.
Não ouvem diariamente o estampido das balas consequências da delinquência oriunda das drogas, não ouvem as pessoas reclamando da insegurança urbana!!!
E aí são estas AUTORIDADES que estão a nos representar?
Com conhecimento ou competência?
Precisamos refletir!
2- Na abertura da PREVIDA a maior autoridade presente o Excelentíssmo Secretário de Justiça presente compõe a mesa de abertura e a preside, porém após uma fala rápida mal elaborada, diz que está cansado, levanta-se da mesa e sai dizendo que tem mais o que fazer, nem sequer passa a Presidência da mesa a outra pessoa que o acompanhava!!!
De novo fico a me perguntar: Este é o real valor que as AUTORIDADES dão ao problema que transformou-se no maior dos PROBLEMAS SOCIAIS da atualidade?
É claro que existem pessoas capazes nestes orgãos, mas são respeitadas com atitudes como estas?
Não são pessoas que fazem o que podem, pois a autoridade pertence aos cargos citados e estes, estes não sei o que pensar e dizer. Abraços, Dionisio.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O medo da dependência não assusta os jovens



O que mais interessa nos dois litros de refrigerante são as garrafas pet. São nelas que os jovens (meninos e meninas de 15 a 18 anos, invariavelmente) misturam os litros de bebidas destiladas. Pode ser cachaça da mais barata ou, quando a coleta de moedas entre eles permite, um litro de vodka - de qualquer procedência. Pronto, o "tubão" já pode passar de mão em mão, ou melhor, de boca em boca. Agora é só sair por aí, aprontando.

Em qualquer lugar da cidade a cena se repete diariamente. Pode ser na mais distante vila ou nos bairros de classe média da capital. Até na saída das escolas, tanto públicas quanto particulares, o "tubão" faz sucesso. E não importa se é de dia ou de noite. Longe de ser apenas uma estimativa, a constatação é de que os jovens começam a beber cada vez mais cedo.

O principal motivo, segundo Dionísio Banaszewski, do Conselho Regional de Psicologia do Paraná, que fez parte do Conselho Estadual Antidrogas (Conead), é a facilidade com que as pessoas têm acesso às bebidas alcoólicas. "O número de pontos de venda cresceu assustadoramente", comprova. Além disso, com a complacência dos pais, eles são abastecidos igualmente em casa, nos bares e nas festas.

A estudante do ensino médio Camile, de 15 anos, diz não se lembrar direito, mas acha que tomou só dois porres este ano. "Não fiz nada de errado, só me arrependi por ter passado mal no dia seguinte", comenta, salientando que está aprendendo a se controlar.

Para muitos adolescentes, beber junto com a turma passou a ser o principal programa da semana. Thiago, de 17 anos, alega que começou a beber para acompanhar a turma, mas agora já está acostumado com a bebida. "Fico mais descontraído e corajoso", se vangloria. Nas madrugadas, principalmente dos finais de semana, a turma de Camile e Thiago fica na rua "zuando".

Perdem o controle também constata que os jovens freqüentam as festas cada vez mais cedo e, que, na maioria delas, o consumo de bebidas para menores é totalmente liberado. No entender do especialista, devido a falta de maturidade a maioria dos jovens desconhece o que é beber com responsabilidade. "Por isso perdem o controle quando bebem", ressalta.

A violência provocada pelo descontrole dessas turmas, conforme levantamentos oficiais, é uma das principais responsáveis pela morte violenta de jovens entre 15 e 24 anos. Quando não são as brigas entre eles, os acidentes de trânsito provocados pelo abuso no álcool, inflacionam as estatísticas.

O fenômeno do aumento de alcoolismo entre jovens vem sendo acompanhado pelo há quase uma década com muita preocupação. Que o alcoolismo está se tornando cada vez mais alarmante não é novidade. "No entanto, é preciso tomar conhecimento de que a situação está ficando fora de controle", enfatiza o psicólogo.

Uma recente pesquisa mundial constatou que o número de mortos e de incapacitados devido ao consumo de álcool em todo o mundo equivale à soma dos óbitos causados por pressão alta e pelo fumo. Por isso, especialistas reconhecem que uma política sobre o uso do álcool não é mais uma questão nacional, mas sim de saúde pública mundial.

O alcoolismo é uma doença

Além dos problemas físicos e emocionais, o álcool está direta ou indiretamente ligado à maioria esmagadora das ocorrências policiais e dos registros hospitalares. Segundo o psiquiatra Fernando Sielski, especialista em dependência química, o álcool provoca alterações neurofisiológicas profundas nas pessoas. "Ele causa graves danos à memória, capacidade de abstração e a inteligência", afirma.

Essas disfunções no sistema nervoso independem do tipo de bebida ingerida, sejam as mais fortes como a cachaça ou as mais, socialmente aceitas, como a cerveja. Outra conclusão do estudo foi que as maiores alterações eletrofisiológicas foram registradas na região do tálamo, considerada a porta de entrada do cérebro no que se refere à sensibilidade.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 1967, reconhece o alcoolismo como uma doença. Dentre as outras conseqüências do uso contínuo e em excesso da bebida, enumerados por Sielski, são a amnésia, neurites, hipertensão arterial, disfunções sexuais, diarréia e hepatite alcoólica, entre outros distúrbios.

Para a coordenadora do Conselho Estadual Antidrogas do Paraná, Sônia Alice Felde Maia se torna difícil perceber quando o consumo de álcool deixa de ser apenas um assunto pessoal, restrito ao usuário. No seu entender, uma das principais causas desse comportamento está ligada ao mau funcionamento da sociedade.

"Propagandas ditando como ser, agir, se vestir e a falta de monitoramento dos pais na vida de seus filhos, podem ser consideradas ações contundentes para os jovens, que não tem maturidade para discernir sua postura diante dos fatos corriqueiros da vida", teoriza.

Campanhas de conscientização

Para a coordenadora, a formação da maioria das crianças e jovens atuais está baseada no conceito da adição. Assim, quando vêem o pai ou mãe, tomar um comprimido para relaxar, um drinque para aliviar as tensões, vai ter como referência que seu bem-estar está diretamente associado a adicionar algo, como álcool, para obtenção do prazer.

Contudo, Sonia ressaltou que o resgate de valores familiares e atitudes simples, como "elogiar e dar afeto aos filhos, conversando sobre qualquer assunto, sem tom autoritário", pode afastar a possibilidade da criança buscar futuramente na bebida alcoólica, sua sensação de prazer.

Ela lembrou que a pressão social dos grupos de amigos, também é fator determinante para o uso do produto. "Incentivar os jovens a praticar esportes, estar envolvidos com atividades artísticas, de trabalho voluntário é uma maneira de orientá-los a adquirir hábitos saudáveis", comenta, salientando que é fundamental que a sociedade, o estado e a família tenham consciência dos malefícios do uso abusivo do álcool.

Quanto mais cedo se começa a ingerir álcool, mais precocemente o organismo reagirá. No Brasil, as estimativas são de que o alcoolismo consome mais recursos do que todo o orçamento da Previdência Social. Além disso, mais da metade dos acidentes de trânsito no país estão relacionados ao consumo de álcool, também causa de 87% dos casos de agressão registrados nas delegacias da mulher.

Dionísio Banaszewski ressalta que o adolescente não vai por conta própria atrás de informações sobre os malefícios das bebidas alcoólicas, por isso, além de medidas restritivas, uma das principais ações para tentar reverter essa situação é criar campanhas que conscientizem os jovens sobre os efeitos do álcool, iniciativa que vem mostrando bons resultados contra o uso do cigarro, por exemplo.

Os danos do álcool

• No fígado: hepatite, cirrose
• No pâncreas: pancreatite
• No estômago: gastrite, úlcera
• No sistema nervoso: lesões cerebrais, epilepsia, psicose e demência
• Nos homens: atrofia nos testículos, redução no número de espermatozóides
• Nas mulheres: um efeito semelhante nos ovários

Aprendendo no bar

• 65% dos estudantes de escolas particulares entre 15 e 18 anos tomam bebidas alcoólicas
• 9% bebem mais de 20 vezes por mês
• O primeiro gole acontece aos 10 anos, em média
• Na década passada, o contato inicial com o álcool era aos 14 anos
• 17 milhões de estudantes brasileiros do ensino fundamental e do médio bebem com freqüência 
 
Retirado em 05/08/2010 de :
http://www.antidrogas.com.br/mostraartigo.php?c=901

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Brasil tem mais de um milhão de viciados

Consumo no País é uma epidemia já comparada à epidemia de aids no continente africano

Da Agência Brasil



O número de usuários de crack hoje no Brasil está em torno de 1,2 milhão e a idade média para início do uso da droga é 13 anos. Os dados foram apresentados ontem pelo psiquiatra Pablo Roig, durante o lançamento da Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Roig é especialista no tratamento dependentes do crack. O número é uma estimativa feita com base emdados do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Os especialistas presentes na audiência apontaram que os países gastam de 0,5% a 1,3% do PIB com o combate e tratamento ao uso de droga.



O consumo de crack no País é comparada a uma epidemia. De longe, é a droga que mais se alastra, atingindo atualmente todas as camadas da sociedade.



Na semana passada, durante audiência com a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Paraná, o deputado federal Alceni Guerra (DEM-PR), membro da frente paralamentar, comparou o consumo de crack no Brasil à aids. “A epidemia do crack aqui só perde para a epidemia da aids na África”, comentou.



A Frente Parlamentar recém-criada pretende discutir propostas emergenciais que impeçam o crescimento do uso da droga no país, assim como as formas de tratar os dependentes. A Câmara de Curitiba também criou uma Frente Parlamentar para o mesmo tipo de discussão e propostas na Capital.



A Secretaria Municipal de Saúde de Curitriba mantém os Centros de Atendimento Psico-Social (Caps) que, entre outras, faz o atendimento aos dependentes químicos. Em 2009, em média, 7% das pessoas que procuravam uma das unidades do Caps na cidade todos os meses o fazia para tentar deixar o crack.



O avanço do crack tem despertado ações de todos os lados. No início da semana o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) discutiu diretrizes de uma campanha nacional de prevenção ao uso de drogas, em especial do crack, que será lançada em breve. O foco será a pevenção. A fase inicial da campanha prevê uma campanha publicitária com foco na prevenção. Uma segunda etapa deverá definir métodos para que o trabalho se perpetue, tendo os juízes como agentes de mobilização de entidades civis, profissionais que já atuam nessa área de combate às drogas e cidadãos interessados em desenvolver esse trabalho com os jovens.



O governo federal também prepara um um plano nacional interministerial de combate ao uso de drogas, solicitado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o ministro, não há um prazo para que o plano seja lançado, mas deve sair “o mais rápido possível”. O projeto está sendo elaborado por várias pastas, entre elas os ministérios da Saúde, Educação e Justiça.



Abril no Paraná foi o mês do crack. Em trinta dias, foram apreendidos prataicamente a mesma quantidade da droga que nos três primeiros meses do ano. Até o dia 30 de abril, foram apreendidos no Estado 617 mil pedras da droga.

terça-feira, 11 de maio de 2010

PPS de Guarapuava defende “choque de gestão” para combater as drogas

O Psicólogo Dionísio Banazsewski participou em Guarapuava de um encontro sobre Drogas, promovido pelo PPS. Segue abaixo a matéria sobre o encontro.
Fonte: site Cesar Silvestri Filho



Inércia do poder público em relação
ao combate às drogas
preocupa Cesar Silvestri Filho



O crack e demais problemas relacionado às drogas tomaram conta das principais discussões durante o encontro suprapartidário do PPS realizado no sábado, 08, no Atalaia Palace Hotel. A reunião, contou com explanação da presidente da Desafio Jovem Agata de Guarapuava, Sonia Zanelatto e palestra do psicólogo e professor universitário, Dionísio Banaszewski, sobre Crack e drogadição.



Banaszewski enfatizou durante sua fala, que é preciso um “choque de gestão” no combate as drogas. Segundo ele, é necessário que se invista maciçamente em políticas públicas em três níveis: prevenção, combate a usuários iniciantes e recuperação dos viciados.

“Temos que falar muito das drogas, discutir o assunto e implantar políticas públicas que tenham como base o processo de prevenção, iniciando na escola, associada à família e sociedade. Na sequência, temos que ter uma gestão forte para combater o uso intermediário da droga, com orientação adequada e o tratamento efetivo. O terceiro ponto, é a reinserção dessas pessoas na sociedade”, destacou o psicólogo enfatizando que o poder público deve ser o gestor, o órgão que vai colocar as políticas publicas em ação . “Poder público tem que acordar e fazer alguma coisa, por que até agora não está fazendo nada. Existem poucas ações executas e essas são casos isolados”, afirmou.



A visão do psicólogo da política do choque de gestão é compartilhada pelo presidente do PPS de Guarapuava Cesar Silvestri Filho. “Não aceito ver uma cidade onde o poder público não reconhece o problema das drogas. Temos entidades sérias em Guarapuava que desenvolvem um trabalho fabuloso no combate as drogas, mas elas estão sozinhas, não recebem nenhum tipo de apoio do poder público. A prefeitura não é parceira dessas entidades, não se importa com o problema”, enfatizou.



Para Silvestri filho, a questão das drogas precisa ser combatida com uma atuação firme, mas infelizmente, nada está sendo feito na cidade para ajudar os jovens. “O município finge que o problema das drogas não é com ele. É necessário enfrentar o problema, colocar o dedo na feriada e agir, mas infelizmente não é isso que vemos em nossa cidade. Enquanto não é feito nada, uma geração inteira está tendo seu desenvolvimento comprometido por causa das drogas”, complementou.

Além das drogas, Silvestri filho ressaltou que inúmeros outros problemas graves da sociedade estão esquecidos pela prefeitura. “Falamos também da falta de creches, parece outro assunto completamente diferente, mas se formos fazer uma análise podemos ver que tudo está interligado, e nada está sendo feito”, concluiu.



Reunião suprapartidária PPS de Guarapuava

Encontro suprapartidário teve como principal assunto discutido a questão do crack e da drogadição em Guarapuava. Palestrantes: a presidente da Desafio Jovem Agata de Guarapuava, Sonia Zanelatto e o Psicólogo e Professor Universitário, Dionísio Banaszewski

Fonte: site Cesar Silvestri Filho

Drogas: Preocupação real ou promessa de campanha?



Achei muito interessante a propaganda da pré-candidata à Presidência da República mostrando-se solidária aos usuários de crack. É, também, interessante questioná-la sobre a razão pela qual durante os seus anos de Ministra nunca ter movido nada que pudesse contribuir na ajuda e no tratamento e reinserção social destes seres humanos adoecidos pela suas dependências químicas através do uso de crack. Questioná-la sobre qual o orçamento da união para prevenção ao uso de drogas? Qual a efetividade das atuais políticas públicas uma vez que problema é crescente; ou o tema se tornou interessante por ser véspera de eleições? Questioná-la, também, se entre suas propostas e promessas de campanha existe um programa eficaz para combater o tráfico e, mais importante de tudo, ajudar os dependentes químicos? Ou se ela pretende somente passar a mão em suas cabeças, colocando uma venda para o problema sem apresentar soluções concretas.

Em 2004 participei do Fórum Nacional de Políticas sobre Drogas em Brasília/DF. Na abertura do evento me chamou a atenção a mesa de autoridades: esta era composta pelo Presidente da República e sua esposa, o Vice-Presidente, os Ministros da Saúde, Justiça, Forças Armadas e o Secretário Nacional Antidrogas. Dentre todos os presentes, somente o Ministro das Forças Armadas, o General Jorge Felix,  fez um breve pronunciamento burocrático como Presidente do Conselho Nacional Antidrogas. As demais autoridades presentes entraram MUDAS e SAIRAM CALADAS.

É dessa forma que têm sido tratadas as políticas públicas sobre o tema nesse país. Descaso, omissão, falta de comprometimento são apenas alguns dos fatores que movem os nossos governantes quando o assunto é a dependência química. É comum vermos a cada dia a midia nos abastecendo de informações do sofrimento social das pessoas e das familias; o crescente risco à segurança, o crescimento da delinquência e da morte prematura de jovens vitimas desta peste e, principalmente, da omissão dos responsáveis por ações efetivas a curto e médio prazo.

E aí neste momento aparece essa senhora posando de HEROÍNA, é mesmo comovente!!!

Como escrevi na postagem anterior a droga se instalou na Esplanada dos Ministérios e na Praça dos Três Poderes pedindo socorro. E precisa tudo isso? E as cracolândias das principais cidades ja não são suficientes?  Elas aparecem na midia há mais de 20 anos, e até agora não houve nenhum governante que tivesse resolvido o problema. Sabem muito bem falar do assunto, prometer mudanças, mas depois de eleitos demonstram que o descaso é o mesmo e tudo continua igual.

Tá na hora de mudar, Brasil.

E vamos ao debate!

Abraços,

Psicólogo Dionísio


Ainda sobre o assunto podemos ler na coluna de Augusto Nunes o que segue:

“Em entrevista à emissora de rádio JM, de Uberaba (MG), Dilma Rousseff discutiu as políticas públicas para enfrentar o consumo de uma das drogas que mais atingem os jovens”.


A Pré-candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff, consultora da ONU para a política de combate a drogas ilícitas, deu sua receita revolucionária contra o crack, disponível em seu próprio site.

Dilma: “A nossa proposta ela conjuga, eu vou te falá as diretrizes dela. Eu sintetizaria procê em autoridade, carinho e apoio, né? É, é, autoridade, carinho e apoio”

Aos jovens já viciados, ela propõe a política mais ousada de seu programa antidrogas:

Dilma: “Esse ocê tem de impedi que ele entre e ao mesmo tempo aquele que entrou tem de puxá”.

Segue o comentário do autor sobre o episódio: o Impedir que o já viciado entre no vício me parece um pouco contraproducente. Mas a dúvida maior é esta: puxá o quê? Fumo, cadeia? Desconfio que Dilma também não seja craque nesse assunto. E esteja confundindo política de droga com droga de política.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A juventude pede socorro.



Certa ocasião me convidaram para falar num congresso sobre drogas, pediram que eu abordasse a possibilidade de diálogo entre pais e filhos quanto ao tema. Iniciei contando uma história de um paciente meu que quando adolescente começou a fumar maconha, os pais não perceberam, ele continuou fumando. Pai, mãe e família não viram, não ouviram e ele continuou fumando. Certo dia a mãe encontrou uma quantidade da droga, porém ele conta uma estória e a mãe acredita.

Depois de um tempo, novamente a mãe encontra outra quantidade da droga, muito maior do que da primeira vez. Chama o pai, mas nenhuma atitude é tomada, o filho enrola os dois e continua com o "bagulho". Dias depois ele é preso com um tijolo de maconha e neste momento a família então me procura para orientar o caso.

Assim que ele consegue a liberdade condicional iniciamos um processo de psicoterapia e chegamos a conclusão que desde a primeira vez ele queria socorro da família e como não foi visto ou ouvido o seu pedido restou-lhe a polícia, esta sim, ouviu e viu e deu o limite pedido.

Este moço seguiu seu tratamento de forma séria e saudável e hoje é um cidadão honrado, seguidor de suas obrigações e direitos sociais.

Há algumas semanas o programa Fantástico, da Rede Globo, nos mostrou uma reportagem sobre a cracolândia de Brasília, clique aqui para conferir a reportagem. Em plena Esplanada dos Ministérios, bem embaixo do nariz da Praça dos Três Poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário - exatamente no centro do poder do Brasil. O uso à luz do dia, pessoas morrendo pelo consumo de drogas e também a venda da mesma.

Agora eu faço uma pergunta: o que isso quer dizer? O que a droga pede a esses "senhores do poder"? Qual a razão da falta de atitudes sérias e humanas para estas pobres pessoas?

Será falta de conhecimento? Ou será falta de competência? Será que algum desses senhores poderia nos responder?

Traço um paralelo da história que vos relatei acima e tenho certeza de que é um grande pedido de socorro, pois quem conhece o problema sabe que é assim que funciona. Basta que tenhamos olhos e ouvidos para buscarmos alternativas de como lidar com o caso e principalmente pela sua fragilidade.

Penso que precisamos discutir profundamente e buscarmos alternativas efetivas, afim de minimizarmos este problema que está destruindo a nossa juventude.

Ou toma-se atitudes sérias e com responsabilidade e sabedoria ou nossos dissabores serão imensuráveis!

E  vamos ao debate!
Abraços
Psicólogo Dionísio

terça-feira, 13 de abril de 2010

Um debate sobre o Santo Daime

Muito se discutiu durante esse ano sobre a questão do Santo Daime, o chá ahyausca, sua legalização como religião, suas consequências. Devido a tudo que tem saído na mídia, inclusive com o recente assassinato do cartunista Glauco (fundador de uma igreja adepta do Santo Daime).

Em função disso, acho extremamente importante e oportuno abrir debate sobre o assunto. Principalmente quando se falou da aprovação e pouco se divulgou sobre a base científica que embasou tal liberação, mas tão somente pensou-se no aspecto espiritual. Nem um alerta sobre o poder alucinógeno que a substância pode provocar foi discutido.

A consequência disso faz com que as pessoas não tenham noção dos problemas que esse alucinógeno pode causar e o minimizem. Temos, ainda, o fato do problema vir associado com questões religiosas e culturais. E a partir do momento que vem para uso urbano foge totalmente da sua origem.
 
Segundo a Wikipédia: O Santo Daime é uma manifestação religiosa surgida em plena região amazônica nas primeiras décadas do século XX. Consiste em uma doutrina espiritualista que tem como base o uso sacramental de uma bebida enteógena (para os cientistas, uma droga psicodélica), o ayahuasca, com o fim de catalisar processos interiores e espirituais sempre com o objetivo de cura e bem estar do indivíduo. A doutrina não possui proselitismo, sendo a pratica espiritual essencialmente individual, sendo o autoconhecimento e internalização os meios de obter sabedoria.
 
A grande questão que nos surge é se fora do ambiente da floresta os fins não acabam por perder-se. Acredito que o fato do uso indiscriminado de um alucinógeno deva ser amplamente pesquisado e discutido, antes de se liberar seu uso. Principalmente por que sabemos que o mesmo pode ser uma porta aberta para a utilização de outras substâncias.

E vamos ao debate.

Abraços
Psicólogo Dionísio

quarta-feira, 17 de março de 2010

Entrevista sobre Drogas

Entrevista do Psicólogo Dionísio à Rádio UnC, no Programa Drogas e Dependência, concedida dia 04/03/2010.



Aproveitamos para agradecer à Rádio UnC pela oportunidade de falarmos sobre o assunto.

E vamos ao debate.
Abraços
Psícólogo Dionísio

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

As drogas e o indivíduo

As drogas existem e acompanham a humanidade desde os primórdios e na mesma proporção desafiam a ciência e os profissionais de saúde quanto ao seu uso, abuso e dependência química. 

Em um mundo competitivo e compulsivo, a humanidade vive e convive nesta sintonia com suas dificuldades e ansiedades favorecendo o surgimento de um vazio existêncial. A própria desagregação do indivíduo, do seu grupo familiar e social torna-o presa fácil para o uso de drogas sejam lícitas ou ilícitas.

Também somos vítimas de um enorme apelo social para o consumo, principalmente na adolescência, o que torna quase que obrigatório o uso de alguma substância psicoativa para integrar-se aos grupos. A mídia contribui, de certa forma, quando apela para comerciais de televisão onde o indivíduo interessante é o que consome álcool, por exemplo.

Costumo dividir em dois grupos: os que usam e abusam e os que desenvolvem dependência química, carecendo de diagnóstico mais preciso e qualificado, diagnóstico este que necessita de uma melhor orientação do indivíduo e de sua familia por profissionais da área.

Este é um problema que aflige grande parte da população atual e que carece de atenção. Não deve-se em nenhum momento negligenciar o fato de que o dependente químico precisa de um acompanhamento e de orientação para que consiga se recuperar. E a família é essencial nesse momento, pois dará a ele subsídio para continuar lutando.

Como psicoterapeuta já participei de vários eventos debatendo e esclarecendo o assunto tais como Conferências Municipais em Londrina e Foz Do Iguaçu, palestras em escolas, universidades, empresas, igrejas, semanas de saúde, treinamentos de profissionais de saúde, entrevistas em rádios, televisões, jornais e outros.

O blog se propõe a ser uma forma de facilitar a informação, tornando-a o mais adequada possível. Através dele,  a interação é oportuna a todos os interessados pelo tema proposto por meio de postagens e questionamentos. E de forma mais direta pode-se esclarecer dúvidas e informações com o profissional.

Participe, contribua, comente.
Sua participação é fundamental para fazermos deste um canal de informação e prevenção. 


E vamos ao debate!
Abraços
Psicólogo Dionísio Banaszewski

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Papo sobre Drogas com Dionísio Banaszewski

Sejam bem vindos ao blog Papo sobre Drogas com o psicólogo Dionísio Banaszewski.
Este pretende ser um canal de informação e contato sobre o assunto.

Apesar de tantas informações encontradas nos dias de hoje, e talvez em função delas e da facilidade de acesso aos mais diversos meios de comunicação, sentimos que ainda existem muitas dúvidas e falta de esclarecimentos adequados sobre o assunto.

As Drogas e a Dependência são amplamente debatidas e fazem parte do cotidiano das pessoas, mas em função dessa banalização talvez não tenhamos noção do tamanho do problema que elas causam, até que o mesmo aconteça dentro de nossa casa ou no nosso meio de convívio. Só aí conseguimos medir a extensão do estrago que elas podem causar aos indivíduos, tanto física quanto psicologicamente.

Esse é um assunto que aflige muitas famílias nos dias de hoje e sentimos que existe uma certa desinformação sobre o assunto e sobre como lidar de forma adequada com o usuário ou dependente. Pensando em minimizar essa lacuna de forma adequada e objetiva sobre o tema é que decidimos criar esse blog, que servirá como um canal direto com um profissional respeitado na área. Aqui você encontrará, além de informações sobre as mais diversas drogas e o que elas fazem ao nosso organismo, também um leque de outras questões sobre o assunto, tratados de forma direta e sem rodeios através de textos, vídeos, entrevistas, reportagens, entre outros.

A proposta é tratar o tema de forma aberta servindo como um meio de consulta e esclarecimentos de dúvidas sobre as mais diversas situações. A grande maioria da população tem pouco ou nenhum contato com um profissional que trabalhe com o problema diariamente. E o blog pretende aproximar esse profissional com toda a sua bagagem sobre o assunto da grande maioria da população.

Aqui você poderá tirar dúvidas, esclarecer pontos, fazer perguntas, enfim comunicar e se informar sobre o assunto.

Sejam bem vindos ao nosso
Papo sobre Drogas!

E vamos ao debate!
Abraços,
Psicólogo Dionísio Banaszewski